A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) apresentou à comunidade acadêmica o “Projeto de Modernização da UFMA”. No entanto, a proposta tem sido amplamente rejeitada em assembleias departamentais e nos centros acadêmicos, com críticas que apontam para a precarização do trabalho e a falta de democracia no processo.
Um dos principais pontos do projeto é a extinção dos Departamentos Acadêmicos, históricas unidades de gestão do ensino na universidade. Segundo a administração, essa mudança tem o objetivo de reorganizar a estrutura interna para torná-la mais eficiente e alinhada às “melhores práticas globais”. No entanto, docentes alertam que a proposta carece de um estudo aprofundado sobre os impactos acadêmicos e administrativos da alteração.
Diante da falta de debates ampliados, a Apruma tem pressionado a UFMA a discutir o projeto de forma mais transparente. Como parte das ações, a entidade lançou uma série de vídeos informativos nas redes sociais, destacando pontos controversos da proposta. Na primeira edição, a presidenta da Apruma, profª Ilse Gomes, levantou questionamentos fundamentais:
- Como a UFMA aplica seu orçamento e quais despesas possui?
- Quais são os recursos financeiros para solucionar os problemas estruturais da universidade?
- Por que a proposta não contempla reivindicações históricas do movimento estudantil, como a ampliação da residência universitária e a construção de uma creche?
- A UFMA respeitará a decisão das assembleias departamentais que deliberaram contra a extinção dos departamentos?
Críticas também apontam que a proposta de modernização prioriza ajustes administrativos baseados em indicadores de desempenho, sem considerar melhorias estruturais essenciais, como laboratórios equipados, conectividade de qualidade e bibliotecas atualizadas.
Reação da Comunidade Acadêmica
Docentes, estudantes e técnicos-administrativos têm se mobilizado contra a proposta, argumentando que a extinção dos Departamentos compromete a autonomia pedagógica e a descentralização da gestão universitária. As assembleias realizadas nos Centros Acadêmicos reforçam a rejeição à medida e, de acordo com um levantamento da Apruma, 17 departamentos já votaram contra o projeto, assim como dois conselhos de centro, inclusive o CCET, que abriga o departamento do reitor da UFMA (dados em atualização).
Departamentos acadêmicos que rejeitaram a proposta:
Ciências Sociais
Artes Visuais
Música
Teatro
Psicologia
Filosofia
Tecnologia Química
Química
Informática
Matemática
Física
Pedagogia
Comunicação Social
Ciências Contábeis
Medicina I
Medicina II
Medicina III
Conselhos de Centro que rejeitaram a proposta:
CCET
CCH
No departamento de Medicina I, por exemplo, os(as) professores(as) comentaram que, “em busca de modelos de universidades de excelência no Brasil, não foram encontrados modelos funcionando sem Departamento”. Além disso, a resposta enviada pela reitoria à consulta pública, tomando de exemplo de gestão dos cursos de Medicina de Pinheiro e Imperatriz, “não traz indicadores de qualidade que justifiquem a transformação do modelo atual para o modelo adotado por esses cursos”. E também ressaltaram que “a Assembleia Departamental é um espaço de representatividade do professor diante da Universidade”.
Já o departamento de psicologia publicou uma nota sugerindo que “a Administração Superior organize audiências públicas em cada uma das Unidades Acadêmicas da Universidade, pelo menos até o final do primeiro semestre letivo, de forma presencial e envolvendo os três segmentos – docentes, discentes e técnicos -, a fim de identificar possíveis problemas e propostas relacionadas à Minuta”.
Posicionamento da Apruma
Em nota publicada no dia 28 de janeiro, a Apruma – Seção Sindical do ANDES-SN aponta que o fechamento dos Departamentos Acadêmicos agrava os problemas da gestão universitária e que, ao centralizar decisões, “o novo modelo proposto enfraquece a democracia universitária, prejudica a qualidade do ensino e da pesquisa e impede o desenvolvimento de soluções criativas e eficientes para os desafios sociais”.
Ainda no documento, a Apruma destacou o papel crucial dos departamentos acadêmicos no combate ao sucateamento da UFMA, ressaltando que chefes de departamentos e coordenadores de cursos estão cientes dos problemas estruturais, como salas de aula inadequadas, laboratórios precários, acervos defasados e acessibilidade insuficiente. A entidade afirmou que os departamentos sempre denunciaram essas fragilidades e buscaram soluções, mas não receberam respostas adequadas da gestão superior. Além disso, a Seção Sindical do ANDES-SN criticou a rejeição de propostas, defendendo a necessidade de uma discussão mais ampla, com participação ativa de docentes, TAEs e discentes nas decisões acadêmicas da universidade.
Diante disso, a Apruma – S. Sind. continua convocando a comunidade universitária a pautar o projeto de modernização nos espaços deliberativos da universidade e, sobretudo, nos conselhos superiores.
É preciso rejeitar o projeto e garantir ampla discussão de alternativas para que a universidade se modernize a partir da valorização dos(as) servidores(as) e estudantes, ouvindo suas demandas e construindo coletivamente novos modelos.