O Movimento de Proteção aos Animais da UFMA vem registrando, há anos, casos recorrentes de abandono e maus-tratos de cães e gatos no campus do Bacanga, um problema que afeta diretamente o bem-estar animal e a convivência cotidiana da comunidade acadêmica. A situação fere a legislação vigente, como a Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que criminaliza práticas de abuso e abandono, e contraria as orientações do Conselho Federal de Medicina Veterinária, que reforça a responsabilidade humana e institucional quanto à guarda e proteção dos animais domésticos e comunitários.
Segundo o grupo, o número de casos dentro da UFMA é significativo e cresce de forma preocupante. Professores e estudantes organizados de forma voluntária assumem, sozinhos, todos os cuidados necessários: transporte para atendimento veterinário, medicamentos, vacinas e alimentação. Para a professora Mônica Sousa, uma das coordenadoras do grupo “Protetoras UFMA”, a castração é essencial para evitar novos abandonos. No entanto, o trabalho voluntário fica comprometido devido aos custos elevados. “Sem abrigo, sem lar temporário e com muitos tutores cobrando para acolher, ficamos limitadas”, explica.
O recente caso do cão Noel, encontrado em situação de vulnerabilidade exemplifica apenas um entre muitos episódios que se repetem no campus. Ele ilustra as consequências do abandono e da ausência de medidas de prevenção, reforçando a urgência de ampliar a conscientização sobre o tema. “Nossa principal perspectiva é a criação de um projeto institucionalizado dentro da UFMA, que estabeleça uma política permanente de cuidado, alimentação, manejo, monitoramento e proteção dos animais que vivem no campus. A universidade chegou a apresentar um projeto institucional, mas ele ainda não foi implementado”, afirma Poliana Santos.
Vale ressaltar que a área onde o Noel foi abandonado é conhecida como “Sede Náutica da Apruma”, no entanto, a Apruma-Seção Sindical do ANDES-SN não administra o local desde 2018, ocasião em que o terreno foi devolvido à administração da UFMA.
Além dos cães, há outro grupo na universidade que realiza trabalho voltado para os gatos: o “Ajuda Pets”. De acordo com Angra Oliveira, integrante do coletivo, a situação é semelhante à dos cachorros, e as voluntárias e os voluntários precisam do apoio da comunidade para mitigar o sofrimento dos animais. “O grupo assiste alguns pontos da UFMA com alimentação, castração para controle populacional e resgates para clínicas. Basicamente, 99,9% do nosso apoio financeiro vem de doações”, esclarece.
Diante desse cenário, a Apruma – Seção Sindical ressalta a importância do trabalho desenvolvido pelos diversos grupos de professoras, professores e estudantes, reconhecendo seu esforço e dedicação diante de um problema que atravessa toda a universidade. A seção sindical sensibiliza a comunidade acadêmica e também a administração superior, destacando que o enfrentamento ao abandono e aos maus-tratos exige responsabilidade coletiva e ações permanentes de educação e acolhimento.
