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São Luís (MA) receberá o 69º Conad em julho

Conhecida como Cidade dos Azulejos, Patrimônio Cultural da Humanidade, Ilha do Amor, Ilha Rebelde e Capital Nacional do Reggae, São Luís reúne em sua trajetória marcas profundas da diversidade cultural, das lutas populares e da resistência de seu povo. É nesse cenário, marcado pelo encontro das heranças indígenas, africanas e europeias, que a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) sediará, entre os dias 3 e 5 de julho, o 69º Conselho Administrativo do ANDES-Sindicato Nacional (CONAD).

A realização do encontro mobiliza a Apruma Seção Sindical, entidade com 47 anos de história e que representa 1051 docentes, em um contexto local marcado por disputas em torno da defesa da democracia na universidade e pelo avanço de forças conservadoras no cenário nacional e internacional.

Tema e Identidade Visual

O tema escolhido para esta edição é “Guarnicê a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita”. A expressão “guarnicê”, tradicional nos festejos do bumba-meu-boi, refere-se ao momento em que os brincantes se reúnem para afinar instrumentos, organizar o batalhão e preparar a apresentação. Para o presidente da Apruma, professor Luiz Eduardo Neves, no CONAD, o termo simboliza o chamado à organização coletiva em defesa da educação pública e dos direitos da classe trabalhadora. “Estamos preparando o evento com muito carinho e dedicação para que delegados, delegadas, observadores e observadoras se sintam acolhidos/as tanto na UFMA quanto na cidade de São Luís”, afirma.

Prof. Luiz Eduardo Neves, presidente da Apruma, fala dos preparativos para o CONAD

Já a identidade visual do 69º CONAD, elaborada pela designer Tay Oliveira, egressa da UFMA, traduz esse propósito ao reunir elementos simbólicos da cultura e da história maranhense. Estão representados os povos originários, por meio da figura indígena; o bumba-meu-boi, através do boi e do caboclo de fita; e Negro Cosme, liderança quilombola da Balaiada que se tornou símbolo de resistência e luta contra a escravidão.

Integrante da comissão organizadora local, a professora Ilse Gomes destaca que os elementos escolhidos dialogam diretamente com a história de organização popular do estado. “O Guarnicê e a Balaiada são representativos da força do povo brasileiro em se organizar e lutar por melhores condições de vida. Em ambas as referências, os protagonistas são as classes populares que projetam um mundo melhor”, ressalta.

Profª. Ilse Gomes destaca que os elementos da identidade visual

Debate político e desafios da conjuntura

Para a professora Célia Martins, primeira tesoureira da Regional Nordeste 1 do ANDES-SN e da base da Apruma, a realização do CONAD em São Luís reforça a política de descentralização dos eventos nacionais e amplia a participação das bases sindicais. “O CONAD é um momento de aproximação das instituições de ensino superior para pensar, refletir e fortalecer nossas lutas. É um espaço de debate político, troca de conhecimentos e aprendizados”, afirma.

Profª. Célia Martins, primeira tesoureira da Regional Nordeste 1 do ANDES-SN, fala sobre importância do evento na região

O presidente do ANDES-SN, professor Cláudio Mendonça, que também é da base da seção anfitriã, destaca que o encontro acontece em uma conjuntura internacional marcada pelo avanço de forças reacionárias, pelo fortalecimento da extrema direita e pela intensificação das disputas geopolíticas.

“O 69º CONAD se insere em um contexto que exige dos sindicatos, dos movimentos sociais e dos setores democráticos muita unidade para enfrentar a conjuntura internacional e o avanço da extrema direita. Precisamos sair deste encontro fortalecidos, com uma agenda de mobilização capaz de derrotar o bolsonarismo e enfrentar os projetos autoritários que ameaçam os direitos sociais e a democracia”, avalia.

Prof. Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN, destaca pontos do cenário político durante CONAD

Ao receber pela quinta vez um evento nacional do ANDES-SN, São Luís reafirma sua tradição de acolhimento e resistência, transformando a UFMA em espaço de encontro para docentes de todo o país, inspirados/as pelas lutas históricas dos povos originários, das comunidades tradicionais e das mulheres e homens que ajudaram a construir a trajetória de resistência do Maranhão.

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