Na última sexta(11/09), o Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) da Apruma Seção Sindical reuniu-se para avaliar o cenário das lutas socioambientais, debater relatórios nacionais do ANDES – Sindicato Nacional e planejar as ações políticas da categoria no Maranhão. Entre as deliberações centrais, o grupo confirmou a ida dos professores Thiago Lima, Diretor Administrativo – Financeiro da Apruma; e Welbson Madeira, do curso de Economia, para a atividade de formação política que ocorrerá entre os dias 25 e 27 de setembro na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em São Paulo. O evento consiste em uma reunião conjunta dos Grupos de Trabalho GTCeT e GTPAUA do ANDES.
Durante o encontro, os docentes debateram as sínteses dos últimos encontros nacionais GT, em especial a Circular 253/2026, que orienta a realização da reunião conjunta entre o GT de Ciência e Tecnologia (GTC&T) e o GTPAUA.
O documento aponta para a necessária articulação entre dimensões que o capital busca tratar de forma isolada: os impactos da extração mineral de terras raras, a proliferação desregulada de data centers, a expansão das Big Techs e os reflexos do avanço da Inteligência Artificial sobre o trabalho docente, os direitos trabalhistas e a soberania nacional. A discussão chamou a atenção para a infraestrutura material pesada (energia, água e mineração) exigida pelo ambiente digital e reforçou a importância da soberania digital popular, do software livre e da ciência aberta em oposição à apropriação privada do conhecimento acadêmico.
Também foram resgatadas as deliberações de reuniões anteriores e do 69º CONAD sobre a crítica ao “capitalismo verde”, à financeirização da natureza, ao desmantelamento das legislações de licenciamento ambiental e aos limites dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Realidade maranhense: Pulverização de agrotóxicos, Conflitos de terras e Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo
A reunião destacou o papel da universidade pública e do sindicato diante do aprofundamento dos conflitos socioambientais que marcam o espaço maranhense.
Entre eles, o avanço predatório do agronegócio e o uso indiscriminado de agrotóxicos sobre comunidades e assentamentos como no povoado Araçá, em Buriti de Inácia Vaz, que tem violado direitos básicos e vitimado famílias rurais, foram objeto de debates no âmbito do GT.
Além disso, os docentes pautaram o adiamento da Audiência Pública sobre o Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo do Município de São Luís, fruto de uma manobra política. O grupo compreende que é fundamental a luta em torno da votação da Lei de Zoneamento da capital, que sofre pressões da construção civil e de empreendimentos portuários sobre áreas sensíveis, como o território da RESEX de Tauá-Mirim; além da violência sobre as comunidades e povos tradicionais. Foi destacada a participação ativa e solidária de docentes da Apruma na luta pela RESEX Tauá-Mirim; as lutas indígenas, a exemplo do trabalho com a Terra Indígena Araribóia; e o acompanhamento dos desdobramentos do Tribunal dos Povos.
Diante disso, o professor Roberto Ramos pontuou a importância de resgatar os encaminhamentos do Tribunal dos Povos para denunciar as perseguições e a desterritorialização promovida pelo agronegócio e por grandes projetos industriais no Maranhão. Esses temas serão consolidados e enviados para compor o relatório nacional da reunião conjunta dos GTs que será realizada na ENFF.
Atuação militante e extensão universitária
A reunião do GT realizou ainda um balanço da inserção de seus integrantes em frentes acadêmicas e de lutas populares. Docentes do sindicato têm articulado pesquisas em grupos como o Movimentos Sociais, Questão Social e Identidades (que debate os conflitos socioambientais e as relações étnico-raciais); e o N-Direitos (Grupo de pesquisa Direitos Humanos e Diversidade), além de dialogar com redes como o Movimento em Defesa da Ilha.
Outro ponto levantado durante a reunião foi a proposta de vincular a curricularização da extensão universitária a projetos mediados pela Apruma, promovendo o debate e a intervenção em impactos energéticos e ambientais em comunidades afetadas e movimentos sociais.
Próximos passos e encaminhamentos
Haverá uma reunião de avaliação e planejamento entre os dias 5 a 9 de outubro para a socialização das discussões trazidas do encontro na ENFF para toda a seção sindical.
Haverá a organização de um debate aberto sobre a luta de classes e a questão socioambiental no Maranhão, trazendo para a mesa de discussão advogados populares, lideranças comunitárias, Comissão Pastoral da Terra e articuladores do Tribunal dos Povos para denunciar a violência agrária e articular estratégias conjuntas de resistência.
Com essas deliberações, a Apruma reafirma seu compromisso de classe na defesa dos povos e comunidades tradicionais, da preservação ambiental e da soberania científica e tecnológica.
