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Prof. Cláudio Mendonça, da Apruma, é o novo presidente do ANDES-SN e reforça protagonismo da base maranhense no movimento docente

O professor Cláudio Mendonça, do Colégio Universitário da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), foi eleito presidente do ANDES-Sindicato Nacional pela Chapa 1 – ANDES pela Base, nas eleições que ocorreram em maio. Ele é o segundo presidente nacional oriundo da Apruma, reafirmando o protagonismo da seção sindical maranhense no movimento docente. O primeiro foi o prof. Antônio Gonçalves (2018-2020).

Com trajetória iniciada na militância popular e no movimento estudantil, Cláudio passou por diversas instâncias do sindicalismo docente, tendo sido dirigente da APRUMA e integrante de gestões anteriores do ANDES-SN. Em sua avaliação, sua eleição é fruto da história de lutas da APRUMA contra os ataques à educação, às liberdades democráticas e aos direitos da classe trabalhadora.

Entre os principais desafios da nova gestão, estão a revogação do Novo Arcabouço Fiscal, o cumprimento integral do acordo de greve, a luta contra os efeitos das reformas neoliberais, o fortalecimento da agenda antirracista e o combate à extrema-direita.

Cláudio defende um sindicato combativo, autônomo e internacionalista, em diálogo permanente com movimentos sociais e com o conjunto das entidades da educação pública. “Seguiremos firmes na luta, com esperança, diversidade e ação coletiva diante dos desafios do presente”, afirmou.

Leia a entrevista completa com o docente.

APRUMA: Como foi sua trajetória até chegar à presidência do ANDES-SN? Quais foram os principais desafios enfrentados?

Cláudio Mendonça: Pessoas negras e pobres da periferia de nosso país já nascem lutando. Mas sou fruto da militância pastoral de minha mãe e de meu pai, que me levou à Pastoral da Juventude e ao movimento estudantil. Orgulho-me de ter feito parte de uma geração de militantes do Movimento Estudantil que enfrentava, nas ruas, o Sindicato das Empresas de Transporte e a Prefeitura de São Luís. Estive no grêmio estudantil do antigo CEFET, na Diretoria Acadêmica de Geografia da UFMA, no DCE da UFMA e na Executiva Regional de Geografia.

No IFMA ou na UFMA, seja como técnico ou docente, logo me envolvi na luta sindical, chegando a ser secretário-geral da APRUMA, na gestão 2014-2016, e diretor de Relações Sindicais e Populares, na gestão 2016-2018.

Fruto disso, acabei me tornando segundo tesoureiro nacional do ANDES, na gestão 2018-2021, que teve como presidente nosso querido professor Antônio Gonçalves. Foi uma gestão marcada pelo enfrentamento a Bolsonaro e à pandemia. Nessa gestão, também fui encarregado de imprensa do ANDES. Em seguida, na gestão 2021-2023, ocupei o cargo de 2º vice-presidente regional Nordeste 1, com lutas importantes, como a derrota da PEC 32 e o retorno às aulas presenciais em um quadro de total precarização das condições de trabalho.

Paralelo a tudo isso, sempre estive presente nas lutas — tanto pelas condições imediatas do conjunto da classe trabalhadora quanto pelas questões mais gerais.

APRUMA: O que representa para você ser o segundo presidente do ANDES-SN oriundo da base da APRUMA?

Cláudio Mendonça: Isso é resultado da luta de nossa seção sindical que, nas últimas décadas — com destaque para as presidências de Antônio Gonçalves, Sirliane Paiva, Bartolomeu Mendonça e Ilse Gomes —, tem buscado interiorizar cada vez mais sua atuação, sendo parte fundamental da luta pela democratização da universidade. Enfrentamos tentativas de intimidação, como no caso da tentativa de exoneração do professor Ayala, e também a ação do sindicato fantoche da Proifes.

Do mesmo modo, a luta pela casa do estudante, no passado, e a luta contra o fim dos departamentos, no presente, simbolizam uma tradição de resistência. A história de nossa seção sindical é riquíssima: somos uma das seções mais antigas, parte da luta pelo fim da ditadura empresarial-militar, aliada das lutas indígenas, quilombolas, do conjunto da classe trabalhadora e contrária a todas as reformas neoliberais — como as reformas previdenciárias, que acabaram com a paridade e a integralidade na aposentadoria.

APRUMA: Quais serão as principais pautas e desafios da sua gestão à frente do sindicato?

Cláudio Mendonça: Consideramos que a luta por orçamento é urgente — e isso passa por derrotar o Novo Arcabouço Fiscal. Também é essencial intensificar a mobilização pela revogação de todas as medidas adotadas pelos governos Temer e Bolsonaro no âmbito da educação.

É igualmente urgente enfrentar as reformas previdenciárias, que atacam diretamente um número significativo de colegas nossos, os quais sentem, na pele e no bolso, os efeitos dessas medidas.

Também é preciso intensificar a luta para que todos os pontos do acordo de greve sejam efetivados.

Urge fortalecer a mobilização pela efetivação da Lei 12.990, que trata da reserva de vagas para a população negra, bem como ampliar a campanha Sou Docente Antirracista — inclusive aqui na UFMA, onde ela ainda não ganhou corpo.

É crucial compreender que há um inimigo que precisa ser radicalmente combatido em todos os espaços: os neofascistas, a extrema-direita bolsonarista. Manter a unidade é essencial, garantindo assim um sindicato que não seja nem sectário e nem governista.

Para além de tudo isso, é preciso manter o caráter internacionalista do nosso sindicato — aliado de primeira hora dos movimentos estudantis, LGBT, feminista, negro, sem-terra, quilombola, ribeirinho, indígena e anticapacitista. Um sindicato que também reconheça a gravidade da crise climática gerada pelo capitalismo, a ser enfrentada com ações concretas.

APRUMA: Como você vê o papel do ANDES na defesa da educação pública e dos direitos dos docentes no atual cenário político?

Cláudio Mendonça: Vivemos tempos de ascensão e fortalecimento da extrema-direita mundial, com uma correlação de forças desfavorável e uma capacidade de mobilização ainda insuficiente. Derrotamos eleitoralmente Bolsonaro, é verdade, mas o governo eleito, de Lula, não tem apresentado uma agenda econômica capaz de enfrentar os grandes dilemas das universidades públicas — que seguem em situações calamitosas, marcadas por sucessivos cortes orçamentários.

Além disso, enfrentamos o pior Congresso Nacional de todos os tempos, com uma agenda reacionária, pró-agronegócio e ultraliberal, que tenta, inclusive, cassar mandatos de parlamentares de luta, como Glauber Braga.

Diante desse cenário, a defesa da educação pública exige, mais do que nunca, a máxima unidade com o Fonasefe, com o Sinasefe e a Fasubra, além do diálogo com CNTE, UNE, UBES e Fenet, para construirmos uma agenda comum que enfrente tanto as políticas reacionárias/conservadoras quanto as políticas fiscais neoliberais.

APRUMA: Que mensagem você gostaria de deixar para os docentes que confiaram em sua liderança?

Cláudio Mendonça: Que cada palestino que tomba pelas mãos do imperialismo mundial, que cada pessoa negra assassinada pela máquina racista e pelas políticas de morte, seja compreendido também como uma parte de nós que se vai. Mas é preciso manter viva a esperança — na diversidade e na luta. E finalizo com uma poesia:

E ENTÃO, QUE QUEREIS?
Vladimir Maiakóvski

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
é certo,
mas também, por que razão
haveríamos de ficar tristes?

O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las.
Rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Posse da Nova diretoria
A cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato Nacional para o biênio 2025/2027, eleita em maio deste ano ocorreu no dia 11 de julho, durante o CONAD, em Manaus(AM). Cláudio de Souza Mendonça, Fernanda Maria Vieira e Sérgio Barroso assumiram, respectivamente, os cargos de presidente, secretária-geral e primeiro tesoureiro.

 

1 comentário em “Prof. Cláudio Mendonça, da Apruma, é o novo presidente do ANDES-SN e reforça protagonismo da base maranhense no movimento docente”

  1. Maria Raimunda Marques Mendes

    Parabéns ao Prof. Carlos Mendonça e demais membros da diretoria do sindicato nacional por mais esta vitória e enfrentamento das grandes lutas.

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