A campanha salarial de 2027 já começa a entrar na pauta de discussão do movimento docente. Um estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a pedido do Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais (FONASEFE), apresenta diferentes cálculos sobre as perdas acumuladas pelos servidores federais e serve de subsídio para a construção das reivindicações do próximo período.
O material integra a Circular nº 364/2026 do ANDES-SN – Sindicato Nacional, que orientou as seções sindicais a realizarem assembleias para aprofundar o debate sobre os índices de reajuste para 2027. A circular destaca que as carreiras do Magistério Superior e do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) estão incluídas no Bloco II, formado por servidoras e servidores que firmaram acordos em 2015, com reajustes previstos para 2017, 2018 e 2019, além do reajuste linear de 9% em 2023 e das parcelas decorrentes dos acordos posteriores.
Estudo aponta 14,82% de recomposição para o Bloco II
De acordo com o estudo do DIEESE, a inflação medida pelo IPCA entre setembro de 2016 e dezembro de 2026, considerando a projeção de 5,02% para a inflação de 2026, chega a 64,03%. No mesmo período, os reajustes acumulados para o Bloco II correspondem a 43,38%.
A diferença entre a inflação acumulada e os reajustes concedidos resulta, segundo o estudo, em uma defasagem real de 12,89% no poder de compra. Para recompor essa perda, o cálculo aponta a necessidade de um reajuste de 14,82%.
O percentual, no entanto, considera a situação média das categorias que integram o Bloco II. O próprio material encaminhado pelo ANDES-SN chama atenção para a necessidade de analisar de forma específica as carreiras do Magistério Superior e do EBTT, cujas tabelas remuneratórias não correspondem à média utilizada no cálculo geral do bloco.
Análise específica de MS e EBTT chega a 27,03%
Quando consideradas as tabelas efetivas das carreiras do Magistério Superior e do EBTT, o estudo apresentado pelo ANDES-SN aponta uma perda real de 21,28% entre setembro de 2016 e dezembro de 2026. Nesse recorte, a recomposição necessária para recuperar as perdas calculadas chega a 27,03%.
A análise também apresenta outros recortes temporais. Considerando março de 2013 como data-base, por exemplo, a perda real indicada chega a 29,07%, com uma recomposição necessária calculada em 40,99%. O documento ressalta, assim, que o percentual reivindicado dependerá também do período utilizado como referência para medir as perdas.
Além das diferenças entre os recortes, o material destaca que os reajustes lineares acumulados especificamente nas carreiras de MS e EBTT foram de 29,12%, abaixo dos 43,38% considerados para o conjunto do Bloco II.
Apruma vai aprofundar discussão por meio de comissões
Na última Assembleia Geral da Apruma, realizada em 23 de setembro, o tema da campanha salarial de 2027 foi apresentado aos docentes a partir dos dados encaminhados pelo ANDES-SN na Circular nº 364/2026.
Durante a discussão, foram apresentadas as diferenças entre o cálculo geral do Bloco II e a análise específica das carreiras do Magistério Superior e do EBTT. O debate também destacou a necessidade de ampliar o acúmulo da base antes da definição de uma posição da entidade sobre o índice a ser reivindicado.
Como encaminhamento, a assembleia apontou a constituição de comissões temáticas para aprofundar os estudos e construir posições do sindicato até o final do ano. A proposta também dialoga com a necessidade de reorganização do Grupo de Trabalho de Carreira, de modo a acompanhar as negociações e os desafios relacionados à campanha salarial de 2027.
O professor Luiz Eduardo Neves, presidente da Apruma, também defendeu a ampliação do debate na base antes da construção de uma posição da entidade. A Circular nº 364 orienta que as discussões realizadas pelas seções sindicais sejam sistematizadas e encaminhadas ao ANDES-SN até 29 de setembro.
Debate antecede construção da pauta de 2027
O estudo não estabelece, portanto, um índice já deliberado para a campanha salarial. Os percentuais apresentados funcionam como referências para o debate sobre as perdas acumuladas e sobre a recomposição necessária, considerando diferentes metodologias e períodos.
A Circular nº 364 também orienta que as entidades discutam as táticas para a reivindicação de um índice que considere as especificidades das carreiras docentes, sem perder de vista a unidade dos servidores públicos federais nas negociações da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP). O documento destaca ainda a necessidade de garantir a previsão de recursos para o reajuste na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027.
Para a Apruma, o próximo período será, portanto, de aprofundamento dos dados e de discussão coletiva sobre as perdas salariais, os diferentes índices de recomposição e os caminhos para a construção da campanha salarial de 2027.
