O livro Literatura e outras artes: traduções culturais e diálogos interdisciplinares propõe um olhar ampliado sobre a literatura a partir de seus diálogos com outras linguagens artísticas e com os debates críticos do tempo presente. Em entrevista à Apruma, a professora e pesquisadora Cláudia Moraes, uma das organizadoras da obra, comenta os fundamentos teóricos do livro, a centralidade de temas como raça, gênero e território, a perspectiva interdisciplinar que estrutura a coletânea e a importância de espaços institucionais, como a Apruma, para a circulação da produção acadêmica e artística no Maranhão.
O lançamento ocorrerá nesta sexta-feira (30/01), às 18h30, na Casa da Apruma (Rua do Egito, 207, Centro, São Luís–MA).
Apruma – O livro parte da ideia de que a literatura se reinventa no diálogo com outras linguagens artísticas. Como esse entrelaçamento com cinema, música, teatro e artes visuais contribui para ampliar a experiência estética e crítica do leitor?
Cláudia Moraes – O entrelaçamento que forma o campo inteartes nos ajuda a ampliar o olhar por meio da experiência artística, compreendendo que a arte nunca se dá a partir de uma perspectiva só, mas é prismada e complementada através do entrecruzamento de suas várias manifestações. É a partir dessa experiência densa que também surge o trabalho da crítica especializada e da pesquisa que compreende que as artes dialogam e se complementam intensamente.
Apruma – A coletânea enfatiza questões como raça, gênero, classe e território, além de dialogar com perspectivas pós-coloniais e decoloniais. De que maneira esses eixos atravessam os textos e redefinem os modos de produzir e interpretar a literatura hoje?
Cláudia Moraes – Com a emergência de temas interseccionais como raça, classe, gênero e território que atravessam largamente as pesquisas contemporâneas fica posto de maneira clara que não é mais possível tecer uma crítica que considere apenas a “arte pela arte” como muito se fez no século XIX, por exemplo. Tanto a arte quanto a crítica do século XXI se mostram engajada, cuidando para que estética e ética andem de mãos dadas a fim de que possamos, através da experiência artística, encarar problemas – atuais e passados – , tensionar e problematizar questões que se apresentam e que nos demandam tanto como cidadãos quanto como críticos ou apreciadores da arte. É neste contexto que surgem as discussões que mobilizam a obra.
Apruma – A obra se organiza em eixos temáticos, que vão da negritude às adaptações para o cinema e o teatro. Como essa diversidade de abordagens se estrutura e como ela se articula com a proposta interdisciplinar do livro?
Cláudia Moraes – Os eixos temáticos servem para nortear o leitor na compreensão de que os temas estão agrupados por afinidades, mas também se atravessam de forma interdisciplinar, abertos à conversa com áreas distintas do saber como chave para uma leitura mais aberta e uma experiência densa com o campo expandido.
Apruma – Em um contexto marcado por desigualdades e disputas de narrativas, qual o papel da crítica e da criação artística na construção de novos horizontes de sentido?
Cláudia Moraes – A crítica, que em muitos casos atua como um farol, um norte para a compreensão mais aprofundada da obra de arte, também age com este compromisso com os temas atuais, respondendo às demandas contemporâneas que valorizam questões de raça, gênero e território. É justamente nisso que consiste a abertura para novos horizontes de sentido, no fato de a crítica agora contemplar novas temáticas que outrora eram relegadas a segundo plano.
Apruma – Qual a importância do apoio da Apruma para a realização deste lançamento e para o fortalecimento de espaços de circulação da produção acadêmica e artística no Maranhão?
Cláudia Moraes – A Apruma atua de forma ativa na promoção e divulgação das obras produzidas por cientistas e pesquisadores maranhenses, abrindo o leque para o conhecimento destas obras e viabilizando espaço e infraestrutura para os autores fazerem lançamentos, bem como o espaço para o debate público de qualidade. É um papel fundamental no âmbito da divulgação científica que oferece apoio e nos dá esta possibilidade de diálogo com o público receptor da obra.
